Sobrenome e Brasão


Alguns historiadores relacionam o uso de emblemas ou símbolos com as Cruzadas; outros acreditam que a origem é ainda mais antiga. Sua origem pode ser hieroglífica. Os primeiros de que se tem conhecimento foram de natureza religiosa e indicativos de profissão, pois eram gravados nos túmulos das pessoas.


O certo é que o uso regulamentado dos emblemas ou símbolos heráldicos só veio a se efetivar na Idade Média, com a finalidade de diferenciar os cavaleiros em suas intermináveis guerras e em torneios.


Na Europa da Idade Média, em meio a diversas batalhas, era difícil distinguir um amigo de um inimigo, já que os cavaleiros estavam quase sempre cobertos da cabeça aos pés por armaduras. Dessa forma, cada combatente costumava decorar seu escudo e sua túnica com um distintivo único, que o diferenciava dos demais, surgindo efetivamente a heráldica. Esse nome provém do inglês, "heralds", que eram os homens encarregados pelos reis de desenhar os brasões.


A heráldica utiliza os termos Brasão e Armas como sendo termos de igual valor e significam o conjunto de insígnias hereditárias, compostas de figuras e atributos determinados, concedidos por príncipes e reis em recompensa por serviços relevantes, podendo indicar ainda marca ou distintivo de linhagem premiada.


Inicialmente, as armas de um cavaleiro eram individuais, representando o mesmo, bem como as terras que possuía e a sua vassalagem. Cada um se encarregava de preparar as suas próprias armas.


Depois, essas armas passaram a ser concedidas diretamente pelo rei, como recompensa pelos serviços ou atos de bravura de seus cavaleiros, acompanhando geralmente a doação de terras.


Só a partir do século XII, essa forma de identificação pessoal por meio do brasão passou a ser hereditária e, como era uma deferência real, assumiu o caráter de nobreza da família. O brasão sempre foi pintado em cores fortes e utilizando ícones significativos como a Torre, símbolo de poder, ou o Leão, que representava grandeza e coragem.


O Brasão era a marca registrada da elite. Os nobres da Idade Média tinham o brasão como sinal exterior de nobreza tão invejado quanto hoje com relação aos que podem ter uma Ferrari do último modelo.


Na Europa, sobretudo em Portugal, era tradicional as Famílias, à medida que iam enriquecendo, conquistar títulos de nobreza junto aos Reis e Autoridades constituídas, definindo-se as suas Armas/Brasões e quase sempre sendo esses benefícios estendidos aos descendentes.


Assim, surgiram os brasões de família, com inúmeras famílias de origem européia com seus brasões registrados em antigos livros de armas, facilitando hoje a descoberta da procedência de um sobrenome. Juntamente com o Brasão vem o Histórico do Sobrenome, relatando a sua origem e pessoas que o obtiveram, no decorrer do tempo, por algum motivo justificável.


Nas pesquisas realizadas sobre a origem do Sobrenome LUZ, com Brasão e Histórico respectivos, foram identificadas origens tanto na Espanha como em Portugal, com históricos e brasões diferentes, e mesmo nesse último país são mencionadas pessoas diferentes, como sendo a primeira pessoa que deu origem ao Brasão de Sobrenome LUZ.


Este fato é por demais natural e conhecido na heráldica, uma vez que um Sobrenome pode ter mais de uma pessoa que obteve Brasão por algum motivo justificado.


As versões que se conseguiu identificar na pesquisa, a respeito do Sobrenome LUZ, estão apresentadas em seguida:

Na Espanha:

1º HISTÓRICO DO SOBRENOME  LUZ

Por incrível que pareça, ainda hoje os membros da Família LUZ podem encontrar raízes de seus antepassados entre os cartesianos, um povo que apareceu na Espanha no ano mil a.C. Os cartesianos são considerados os primeiros habitantes da Península Ibérica e tinham como cultura o comércio marítimo. O idioma vasco  pode ter sido derivado do ibérico, que foi o primeiro idioma falado pelos habitantes da Península.
Junto com os cartesianos estiveram os celtas, que vieram da Europa Central, cruzando os Pirineus entre Espanha e Portugal. Assim, os ascendentes da Família LUZ podem envaidecer-se do sangue celta que corre em suas veias. Naquele tempo, a Espanha foi um campo de batalha entre Roma e Cartago, com a vitória de Roma na Segunda Guerra Púnica, no ano 218  a.C., que marcou o fim da influência de Cartago e o começo da era romana.
Os ascendentes da Família LUZ viveram sob o controle do Estado Romano, usufruindo o fantástico desenvolvimento dessa civilização até o século V. A Espanha foi uma região importante para o Império Romano, que foi o berço de vários imperadores, tendo como idioma o latim, idioma de Roma, que hoje em dia é a base dos idiomas falados na Península Ibérica.
Após a queda do domínio romano no século V, Espanha e Portugal foram invadidos por vários povos germanos. Um dos mais importantes foram os visigodos, que ficaram no poder até a conquista da Ibérica, pelos muçulmanos, no princípio do século VIII. Os Reis visigodos favoreceram as atividades culturais e religiosas, e a maior parte da herança clássica foi preservada pela Espanha, mais do que em outros territórios romanos.
Muitos historiadores acreditam que o caráter nacionalista espanhol, compartilhado por antigos e atuais membros da Família LUZ, formou-se durante a longa conquista muçulmana e pela luta, dos cristãos espanhóis, para conquistar suas terras, fato denominado Reconquista. Foi com muita energia, iniciativa, força e capacidade dos militares que permitiram aos espanhóis, inclusive alguns aventureiros membros da Família LUZ, construir um império em um novo mundo, resultado da força moral gerada pela Reconquista.
Foi durante esse período que muitos dos sobrenomes da nobreza espanhola começaram a ser usados. Freqüentemente, esses sobrenomes tomavam o nome do povo conquistado pelo nobre, e seus descendentes adotavam este nome de maneira hereditária.
O nome de Dom Gonzalo de Luz era completamente desconhecido entre os conquistadores de Granada. Os cronistas da guerra nem sequer o mencionaram, mas existe uma prova dos serviços de Dom Gonzalo de Luz na conquista daquele Reino, feita diante de um escriturário público por Dom Gonzalo de Luz, filho daquele Nobre, pouco depois da rendição. Consta de maneira datada que foi Dom Gonzalo, leal servidor dos Reis Católicos, com quem foi para a guerra, tendo a seu cargo a artilharia, munições e utensílios de guerra até que conquistasse a cidade de Granada, ficando aos redores de Málaga e Salobreña, subtenente de Dom Francisco Ramírez de Madrid, General da Artilharia de Alhambra na companhia de Conde de Cendilla até o ano de 1512, quando morreu.
No dia do ingresso na Ordem de Santiago, Dom Miguel Aguilar e Torres fez uma notificação expedida por Dom Juan de Luz, como secretário do Conde de Cendilla, Capitão General de Granada Alcaide de Alhambra, na data de 4 novembro 1550.
Um ramo da Família foi para Cuba, onde o Tenente-Coronel Dom Antonio de Luz casou-se com dona Manuela Caballero, com quem teve um filho chamado José de Luz Caballero em 11 de julho de 1800. De Cuba foi para a América, e a prova disso é que Dom Antonio de la Luz y Meirelles, natural de Havana, era, em 1798, Inquisidor Honorário em Cartagena de Índias.
Em Cenerife também existe este Sobrenome LUZ. Dom Melchor Luz y Lima foi Alcaide do Porto de la Cruz, seu filho Dom Isidoro Luz y Carpenter foi  Alcaide da mesma população. Segundo os etimologistas, o nome do lugar se derivou da locução latina “lux” que quer dizer luz em castelhano, e que leva a conotação da força operante e divina da luz do dia.
Durante a reconquista, não se encontrou somente, conforme mencionado anteriormente, o uso do sobrenome hereditário entre a nobreza e sim, também, pela primeira vez, o uso de Brasões de Armas. Em miúdos, estes Brasões de Armas eram concedidos junto com um presente, propriedade, para aqueles que haviam se destacado junto ao Rei numa batalha.
O Marquês de Ávila, em sua obra “Ciência Heróica”, declara que “os escudos de armas são signos de honra e virtude, o que indica nobreza”. Sem dúvida que as famílias espanholas que receberam o Brasão de Armas, incluindo a Família LUZ, levaram-no com orgulho, ostentando-o com honra em lugares adequados, valorizando também não em menor grau as respectivas armas de seu país, região, província, cidade ou povo.
Assim, a Família LUZ pode sentir-se orgulhosa quando recordar os honrados antepassados que tiveram, sempre dispostos a servir o seu povo e seu país.

BRASÃO DE ARMAS : De azul, com um leão de ouro sentado, coroado do mesmo azul.

Interpretação                  : Azul (azul) denota Justiça.
                                           Ouro (amarelo) Riqueza.
Símbolo                           : Três penas de avestruz.
Origem                             : Espanha.     

BRASÃO:

 

Fonte: The Historical Research Center – Estados Unidos da América do Norte, por intermédio de Imigrantes Eventos e Publicidade Ltda. de Canoas-RS., em língua espanhola.
Tradução: Feita do espanhol para o português por Joana Cristina Ferraz Ferreira, em Brasília-DF., amiga de minha filha Sandra Lobão Luz.     

2º HISTÓRICO DO SOBRENOME  LUZ


Família espanhola provinda da Casa de Lucena pela baronia de Dom Vasco Fernandes de Lucena, castelhano, embaixador do Rei Dom Duarte no Concílio de Basiléia e seu Desembargador.
Família de origem espanhola, cujo sobrenome é oriundo da Casa dos Lucenas de Andaluzia e que foram chamados por sua forma atual devido à transliteração em apelido que se propagou em Portugal, onde foi fundada a Dinastia.
Foi pai de Dom Vasco Fernandes de Lucena II, grande letrado e embaixador do Papa, que foi casado com Dona Violante Abaim da Silva, filha de João Lopes de Azevedo, Senhor de São João Del Rey, Aguiar e Penna e de sua mulher Dona Leonor Leitão, com quem teve vários filhos e do qual proveio dessa linhagem Dom Fernão de Lucena II, protonotário apostólico em Castela no tempo de Dom Henrique IV e dos Reis Católicos Fernando e Dona Isabel, que o enviaram, no ano de 1475, como embaixador, à Inglaterra. Foi de sua irmã, a Sra. Dona Gracia de Lucena, casada com Dom Gomes de Albarado, que proveio o apelido “Da Luz”, por ser esta a senhora da Vila de Lucena pela dinastia do Conde de Salinas, que tinha ligações de casamento com a Casa de Marialba.
Mantiveram o uso do brasão tanto para uma como para outra dinastia. Usam por brasão um escudo azul, com um sol faceado de ouro, assentado sobre borda de prata carregada de oito cruzes florenciadas em verde.

BRASÃO: Família de origem espanhola, cujo sobrenome é oriundo da Casa dos Lucenas de Andaluzia e que foram chamados por sua forma atual devido à transliteração em apelido que se propagou em Portugal onde foi fundada a Dinastia. Usam por brasão um escudo azul com um sol faceado em ouro, assentado sobre uma borda de prata carregada de oito cruzes florenciadas em verde, conforme segue:

BRASÃO:

Fonte: Pesquisa extraída do Armorial Espanhol – Genealogia y Heráldica, edição de 1979 e do Armorial Lusitano, edição de 1961, páginas 267 a 269. Autenticada pelo selo do pesquisador.

Em Portugal:

1º HISTÓRICO DO SOBRENOME  LUZ

A pessoa mais antiga desse Sobrenome que teve nobreza foi DOM FAFES LUZ, que passou a Portugal com o Conde Dom Henrique, de quem foi Alferes-Mor e rico-homem, ajudando-o em todas as suas batalhas.
DOM FAFES LUZ era filho de Dom Godinho Fafes, fundador do Mosteiro de Fonte Arcada, na terra de Lanhoso, antes do ano de 1082, contemporâneo de Dom Afonso VI de Leão e sucessor de seu pai Dom Fafes. Serrazim de Lanhoso, rico-homem, que sucedeu a seu pai no castelo e terras de Lanhoso, das quais foi Conde.
Morreu esse Dom Fafes na batalha de Águas de Maias, servindo o Rei Dom Garcia de Portugal, e se casou com Dona Urraca Mendes, filha de Dom Mendo Alão de Bragança. Dom Serrazim ajudou a expulsar de Entre Douro e Minho os Mouros, que aí estavam desde que Almançor, capitão de Córdova, tomou do Rei Dom Bermudo II de Leão esse território e povoou o castelo e terras de Lanhoso, nele situados. A origem dessa família é, pois, da melhor nobreza antiga.            
O bispo de Malaca, Dr. João Ribeiro Gaio, canta-os nesses versos:

Este alferes esforçado

De Henrique de Portugal
Último conde louvado
Foi Dom Fafes seu privado
Forte como Aníbal.

Manuel de Sousa da Silva também lhes dedicou a seguinte quintilha:
 Dos Fafes a casa honrada
 Monte Longo a reserva
 Mas de Lanhoso se observa
 Veio para cá mudada
 Onde seu nome conserva. 
As armas dessa família são: Partido, o primeiro, nove pontos, equipolados, de ouro e de vermelho; o segundo, nove pontos equipolados de azul e prata. Timbre: um sol de ouro.

  BRASÃO:

Fonte: Museu de Ciências Naturais – Horto de Dois Irmãos – Recife-PE.

2º HISTÓRICO DO SOBRENOME  LUZ O primeiro deste sobrenome foi Dom Fernão Luz, Cavaleiro e Senhor da Quinta da Luz, na Cidade de Porto. Por servir ao Rei de Portugal, Dom Afonso V, prestando-lhe grandes serviços em lugares como a África (na tomada de Arzila e de Tânger), contra os infiéis, e na Batalha em Castela, ao lado do Rei, este o tirou do conto plebeu, elevando-o à classe de nobreza, dando-lhe Título Nobiliário e o Brasão de Armas, por Carta, em 13-XI-l475.

 

BRASÃO:

Fonte: Brasões Sociedade Comercial – Belo Horizonte-MG.

3º HISTÓRICO DO SOBRENOME  LUZ

Nome de homem, por vezes usado na forma de nome de família. De Luz, substantivo comum. Pode ser de origem religiosa, tomado do nome da Virgem, assim chamada em comemoração ao seu nascimento, precedido em geral da combinação da (Luz) e do nome de Maria.
Sobrenome com esta forma documentou-se no ano de 1177. Em outros documentos Luci, Luzi. Outros consideram um patronímico de Lucidus ou de Lucius; talvez do segundo, pois de Lucidus parece veio Luzes. A Lucius corresponde Luzo ou Luzu, nome de homem, que se lê em documentos dos séculos XIII e XIV (Antenor Nascentes, II, 181).
É o Sobrenome de inúmeras famílias espalhadas por diversas partes do Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Alagoas e Rio Grande do Sul, entre outras. No Rio de Janeiro, entre as mais antigas, encontra-se a de Manuel da Luz, que deixou geração do seu casamento, cujas bodas se deu em 1635, com Bárbara da Fonseca (Rheingantz II, 463).
Rheingantz registra mais nove famílias com este sobrenome, nos séculos XVI e XVII, que deixaram numerosa descendência no Rio de Janeiro. Em Goiás, entre outras, registra-se a do furriel José Rodrigues do Nascimento, que deixou geração de seu casamento, por volta de 1785, com Inácia Maria de Jesus, meiapontense, filha de João Rodrigues Santiago e de Ana da Luz da Conceição (J.J., Pirinópolis, II, 279).
Em Santa Catarina, originária das ilhas portuguesas, cabe mencionar a de Manuel Rodrigues da Luz (casado em 1720, Ilha do Pico --?), que deixou numerosa descendência do seu casamento, casado em 1744, em Santo Antônio (SC), com Maria Vicência, da Ilha Terceira (Anuário Genealógico Latino, IV, 218).
Para Minas Gerais, ver a família Ribeiro da Luz. No Maranhão, registra-se antiga família estabelecida, no século XIX, em São José dos Matões, onde se destacam os Vieira da Luz.
Em São Paulo, entre outras, encontra-se a família do Coronel José Joaquim da Luz, falecido a 22 de outubro de 1879, em São Paulo, em avançada idade. Filho de Francisco Joaquim de Vasconcelos e de Anastácia Maria Mendes. Aparentado com a família Bueno, de São Paulo. Do seu casamento, nasceu o Comendador Benedito Antônio da Luz, falecido a 25 de abril de 1868, Administrador Geral dos Correios da capital paulista. Residiu à rua São Bento, mais ou menos em local onde funcionou a redação do Jornal Comércio de São Paulo. Pintor. Foi agraciado com o grau Comendador da Ordem da Rosa, por despacho de 14 de março de 1846, em São Paulo. Deixou geração do seu casamento com Francisca Carolina de Toledo Alambary, nascida por volta de 1817 e falecida aos 35 anos de idade, em 12 de maio de 1852 – da família Alambary (v.s.), de São Paulo.
No Paraná, entre muitas, registra-se a família do Senador Brazílio Ferreira da Luz (que nasceu em 29.09.1858, Curitiba, PR, e faleceu em  07.1940), médico, Deputado pela Província do Paraná, no Império (1888-1889), Tenente-Cirurgião (21.02.1890), Capitão-Médico de 4ª Classe (27.03.1890), Deputado Estadual, na República (1893). Deputado Federal (1894-96 e 1897-99) e Major (29.04.1909). Durante a Revolução Federalista, serviu à legalidade. Foi Senador pelo Partido Conservador – PCO-PR (1900-1908). No Senado, foi Membro da Comissão de Comércio, Agricultura, Indústria e Artes e Suplente da Mesa Diretora. Foi a Coronel em 1914. Dirigiu o jornal A República. Heráldica: um escudo esquartelado: os primeiro e quarto quartéis, em campo de prata, de 8 raios, dispostos 1,2,1,2 e 1; os segundo e terceiro quartéis, em campo de prata, três cabeças de negros, em roquete, com argolas e colares de ouro (Armando de Mattos, Brasonário, 240).

Fonte: Dicionário das Famílias Brasileiras – Volumes I e II – Carlos Eduardo de Almeida Barata e Antônio Henrique da Cunha Bueno – Correspondência para: Originis-X – Sociedade de Pesquisa – E-mail: Webmaster@dicionariodasfamilias.com.br – Caixa Postal 3000 – CEP: 01060-970 – São Paulo-SP.