Aspectos Sociais e Culturais
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O primeiro médico a clinicar no município de Picos, sua cidade natal, no ano de 1927, foi o Dr. Antenor Martins Neiva, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia, exercendo a medicina como Clínico Geral e Obstetra, havendo feito depois curso em Otorrinolaringologia, no Rio de Janeiro, em 1933.
Esse médico realizou a primeira cirurgia para retirar as amídalas, exercendo a profissão médica durante quarenta anos ininterruptos em hospitais públicos e particulares da Capital e interior da região de Picos. Foi ele quem fundou, juntamente com a Associação dos Vicentinos, o primeiro hospital de Picos, o Hospital São Vicente de Paula, do qual foi Diretor por duas vezes e com inestimáveis serviços prestados à comunidade.
          O setor de saúde em Picos possui os seguintes hospitais: Hospital Regional Justino Luz; Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora dos Remédios; Hospital Geral de Picos; Casa de Saúde São José; Clínica Infantil de Picos; Clínica Materno Infantil Anizinha Luz, Hospital Dia de Picos, Memorial do Carmo, PROCORDIS (Pronto Socorro do Coração), Centro Médico de Picos, Clínica de Urgência de Picos, Clínica Iná e Clínica Integrada, totalizando mais de 392 leitos.
Existem ainda outras Clínicas, 87 unidades ambulatoriais, 23 Postos de Atendimento, sendo 07 na cidade e 16 no interior, com atendimento diário, tanto na Zona urbana como rural, contando também com 07 centros de saúde, 08 ambulatórios de unidade hospitalar geral, 03 postos de assistência médica, 25 Farmácias e Drogarias, 30 consultórios médicos, 11 consultórios odontológicos, 14 Farmacêuticos, 16 Enfermeiras, 78 Auxiliares de Enfermagem e vários Agentes de Saúde. O número de internações chega a 14.168, em média.
          O ensino em Picos teve início com as escolas particulares, que deram grande contribuição à educação dos picoenses por muitos anos e ainda se pode encontrar referências sobre as escolas de Quirino Nunes e de dona Zezé Eulálio e, sobretudo, o Colégio Felisberto de Carvalho, fundado e dirigido pelo Prof. Miguel Lidiano de Albuquerque, educandário comparável aos que hoje, com real competência, ministram o ensino de 1º Grau.
         O primeiro estabelecimento oficial de ensino foi o Grupo Escolar Coelho Rodrigues, inaugurado inicialmente em 15 de fevereiro de 1929, todavia, somente na grande seca de 1932 foi iniciada a atual construção, na administração do Prefeito Justino Luz, e teve nova inauguração em 15 de janeiro de 1933, já na gestão do Prefeito Elizeu Nunes, com localização na Praça da Bandeira, hoje Josino Ferreira, cujo prédio foi tombado, passando a ser patrimônio histórico da cidade e depois se tornou sede do Museu Ozildo Albano, a partir de maio de 1999.
O Governador que assinou o termo de abertura do Grupo foi o senhor João de Deus Pires e as professoras fundadoras foram: Alborina da Silva Reis (Diretora), Raimunda Portela Cardoso, Maria das Neves Cardoso Santos e Alda Rodrigues Neiva.  Em 1935, foi criada a Escola Municipal Landri Sales e, em 1943, foi inaugurado um educandário particular, o Instituto Monsenhor Hipólito, cuja casa foi doada pelo Monsenhor Hipólito e reformada por comerciantes da cidade, com lista  encabeçada por Lousinho Monteiro. Esses educandários e outras escolas particulares e muitas professoras ajudaram a formar várias gerações de picoenses.
          As primeiras professoras normalistas (diplomadas no Curso Normal) chegaram a Picos no início da década de 1930, e vieram da Capital Teresina e foram elas: Alda Rodrigues Neiva, Ricardinha de Castro Neiva, Maria das Neves Cardoso Santos, que se casaram com filhos de homens ilustres da terra, e ainda Raimunda Portela Cardoso. As primeiras professoras picoenses que concluíram o curso pedagógico em Teresina e lecionaram em Picos foram Adalgisa Nunes de Barros Meyer e Maria Lilá Silva Campos. Essas professoras introduziram inovações não só no âmbito dos ensinamentos escolares, mas modificaram também hábitos e costumes das mulheres de Picos.
          Por iniciativa do Juiz de Direito de Picos, Dr. José Vidal de Freitas, foi criado, em 1949, o Ginásio Estadual Picoense, que começou a funcionar em março de 1950, provisoriamente, no Grupo Escolar Coelho Rodrigues, no turno da tarde.
O Ginásio de Picos, já funcionando na Rua Monsenhor Hipólito, no turno da tarde, alcançou grande melhoria na qualidade de ensino a partir de 1956, sob a nova direção do Dr. José Li, que imprimiu uma orientação rigorosa na exigência da aplicação das disciplinas curriculares, continuando depois com a direção do Padre David Ângelo Leal, obtendo grande reconhecimento pelo elevado nível de ensino refletido nos resultados obtidos pelos alunos em comparação com os níveis de ensino alcançados em outros Estabelecimentos Ginasiais do Estado do Piauí.
O  Ginásio de Picos tinha uma participação brilhante nas paradas do “Dia 7 de Setembro”, cujos alunos desfilavam pelas ruas da cidade de forma destacada, juntamente com os soldados do Tiro de Guerra, sob o comando do  Sargento Domerval e orientação do Professor Fonseca, que também era Tenente R-2 do Exército, infundindo nos estudantes um espírito patriótico de brasilidade e princípio de civismo e cidadania.
          No setor educacional, temos a seguinte situação, em 1986: 272 Unidades Escolares de 1º Grau com um número inicial de matrículas de 15.283 alunos e 07 Unidades de 2º Grau, com 6.038 alunos matriculados. No ensino Superior contamos com as Universidades: Universidade Federal do Piauí e Universidade Estadual do Piauí, com um total de aproximadamente 700 universitários.
          No Esporte, Picos conta com a Sociedade Esportiva de Picos (SEP) que é tetra-campeão estadual (1991, 1994, 1997 e 1998) e vários outros times amadores.
            Há o Estádio Municipal Helvídio Nunes, considerado um dos melhores no Piauí, com iluminação própria e capacidade para a realização de jogos à noite. Nos povoados que compõem o município de Picos, assim como nos bairros, existem vários campos de futebol e vôlei, no estilo “poeirão”.
          A Comarca de Picos é de 4ª Entrância, contando com os Juízes: Dr. Edvaldo Pereira de Moura (1a. Vara -  Criminal), Dr. Francisco Gomes da Costa Neto ( 2ª Vara -  da Família) e Dr. Manoel Martins (Juizado Especial -  Cível e Criminal); como Promotores, o Dr. Assuero Stevenson Pereira Oliveira (Promotor da 1ª Vara), a Dra. Gianny Vieira de Carvalho (Promotora da 2ª Vara), Dr. Tarciso José de Moura (Coordenador do DECOM) e Dra. Marlete da Rocha Cipriano (Promotora do DECOM), e ainda cinco Cartórios com os seus titulares: 1º Ofício – Alex Portela Santos de Carvalho Holanda. 2º Ofício – Antônia Santos Alencar Bezerra, 3º Ofício – Lívia Maria Nogueira Barros Cipriano, 4º Ofício – Anísia Gervásio Leitão Rêgo e 5º Ofício – do Crime.
          Em termos de comunicação, a cidade de Picos começou cedo a ser beneficiada. Já em 1900, graças ao engenheiro Elesbão Veloso, os primeiros equipamentos necessários à transmissão foram instalados para o funcionamento do telégrafo como o mais moderno meio de comunicação.
A transmissão de mensagens era feita através de cabo e tinha de ser escrita em código Morse. Em 1946, chegava o Teletipo, como grande novidade. Somente algum tempo depois chegou o telefone, com a primeira empresa criada por um grupo de comerciantes de nome, Companhia Telefônica de Picos, que oferecia apenas 50 linhas para ligação somente local. Hoje, a comunicação por meio telefônico é realizada por intermédio das prestadoras de serviços Embratel e Telemar. Para os serviços de celular, existem duas empresas: BCP e TIM.
No fim dos anos quarenta para o início dos anos cinqüenta, foi fundado o primeiro jornal em Picos, cujo nome era “A Ordem”, surgindo um outro jornal em 15 de março de 1952, denominado “A Flâmula”, pertencente ao Grêmio Estudantil “Da Costa e Silva”, com o propósito de honrar a posição independente e revolucionária da Entidade na cidade. A população de Picos, antes desses jornais, ficava sabendo das notícias por meio de um impresso da Capital, chamado “A Gazeta”.
Nos primeiros tempos de Picos, a título de Rádio, existiam tão-somente os alto-falantes, instalados pelos Partidos Políticos da época, UDN e PSD, que faziam suas propagandas, sobretudo no período das eleições, além de fazerem também propagandas comerciais, como era o caso das Casas Pernambucanas que, em dia de liquidação, podia-se ouvir os anúncios de várias mercadorias a preços mais baixos. Somente no início dos anos 60, foi instalada a primeira Rádio transmissora de notícias, cujo alcance chegava a duas léguas de distância ou 12 Km, durando pouco tempo de funcionamento por não ser regularizada.
Depois chegou a Rádio Difusora de Picos, a primeira a ser legalizada em faixa AM. Só em 1989 foi instalada a primeira emissora radiofônica a transmitir em freqüência modulada, cujo nome era Cidade Modelo FM, existindo atualmente também a Grande Picos FM e a Grande Picos AM.
Quanto à televisão, para quem não possui antena parabólica, existem duas opções: Meio Norte, afiliada à TV Bandeirante, e Antena 10, afiliada à Record. Está em andamento um processo de licitação para implantação de um sinal de TV no município. O Governo do Estado está providenciando a instalação definitiva de uma repetidora da TVE.
Hoje, Picos conta com duas agências postais dos Correios, uma no centro e outra no Bairro Junco, e com a TELEPISA, com sistemas DDD e DDI. Há também seis emissoras de Rádio, sendo quatro FM e duas AM, e seis jornais locais, de periodicidade quinzenal e semanal: Folha Picoense, O Povo, Jornal de Picos, Correio de Picos, Folha de Picos e Total Informativo.
A cidade conta ainda com jornais vindos da Capital, tais como Meio Norte, Diário do Povo e O Dia. Existe ainda a Revista FOCO, sempre enfocando aspectos importantes e de grande aceitação na cidade. O município conta ainda com muitos radioamadores, que prestam relevantes serviços.
          Segundo a AGESPISA, em 1991, a rede de abastecimento d’água do município tinha uma extensão de 86.673 metros. O número de ligações residenciais era de 9.731, comercial 752, industrial 200 e 116 ligações públicas. O sistema de abastecimento d’água dispunha de 06 reservatórios com capacidade para armazenar 8.420 m3 d’água e de 13 poços tubulares, sem tratamento. A taxa média de consumo do município era de 611.488 m3 por mês para um universo de 14.368 ligações residenciais.
          Dados da CEPISA dão conta de que, em 1990, a rede de distribuição elétrica do município possuía uma extensão de 147,0 Km na zona urbana. A linha de distribuição rural contava com 171,08 Km . O município contava com um número de consumidores de 13.953 e o consumo de 50.662 Mwh. A classe residencial contava com o maior número de consumidores, da ordem de 86,9%, e o consumo com a participação de 28,8%, no global, seguindo-se pela ordem a classe comercial, com 8,6% de consumidores e 8,6% de consumo. A classe industrial foi a que se destacou mais em consumo em todo o município, com participação de 42,1%. Em 2000, somando-se comércios, residências, indústrias, zona rural e administração pública, foram totalizadas 1.459 ligações elétricas.
O primeiro cinema a funcionar em Picos-PI. foi o Cine Odeon, construído em 1934 pelo senhor Lousinho Monteiro, que funcionou até meados de 1942. O segundo cinema de Picos veio a funcionar tempos depois, no mesmo prédio, e pertencia ao senhor Sargento do Exército Domerval Moreno, responsável pelo Tiro de Guerra da cidade, no qual os jovens picoenses prestavam o serviço militar.      
          O município de Picos dispõe de muitos clubes: Clube do 3º BEC; Associação Atlética Banco do Brasil (AABB); Sociedade Civil Picoense Clube; Samambaia Campestre Clube; Clube Recreativo das Indústrias Coelho; Clube dos Médicos; Recanto dos Maçons; Lions Clube Casa do Leão; Clube dos Professores; Palladium Casa de Shows; várias pizzarias, restaurantes, hotéis, bares e botequins.
            No aspecto urbano, o município conta com várias Avenidas, Praças, Ruas, Três Conjuntos Habitacionais, tendo a maioria de suas vias públicas pavimentadas.
          A cidade modelo é uma das mais bem estruturadas em termos de organizações comunitárias, pois conta com várias associações de moradores, tanto na cidade como na zona rural, destacando-se: Associação de Moradores do Bairro Junco,  Passagem das Pedras, Fátima do Piauí, Torrões, etc.  Associações dos Vaqueiros de Picos. Existem  também a Federação das Associações de Moradores e Conselhos Comunitários, Associação dos Micro e Pequenos Empresários, Associação Comercial e Industrial da Grande Região de Picos. Várias Cooperativas, como destaque a Cooperativa Apícola, Cooperativa Mista dos Produtores de Castanha de Caju, Cooperativa dos Condutores Autônomos de Veículos Alternativos da Região de Picos, Cooperativa das Costureiras da Região de Picos, etc.; Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sindicato dos Arrumadores, Sindicato do Comércio Varejista, Sindicato dos Garçons, Sindicato dos Comerciários, etc.
           Na área cultural, tem-se na literatura os romancistas, contistas, cronistas, poetas, historiadores e a conhecida literatura de cordel, estando representada por várias personalidades da terra e de municípios circunvizinhos como: Antônio Coelho Rodrigues, Helvídio Nunes de Barros, Flávio Portela Marcílio, Severo Maria Eulálio, Fontes Ibiapina, José Albano de Macedo (Ozildo Albano), Francisco Miguel de Moura, Ozildo Batista de Barros, Mário Rodrigues Martins, Edvaldo Pereira de Moura, João de Deus Neto, Maria Mafalda Baldoíno de Araújo, João Nunes Filho, Antônio de Moura Borges, Leão Sombra do Norte Fontes, Ofélio das Chagas Leitão, Walda Maria Neiva de Moura Santos Leite,  prof. Jonas de Araújo Luz (II), Elias Firmino de Sousa Martins, Mário Rodrigues de Deus Martins, Maria do Perpétuo Socorro Neiva Nunes do Rego, José Wilson Santos, Célia Neiva de Sousa, Fernando Antônio Macedo Varão, Renato Santos Duarte, Inácio Baldoíno de Barros, Gilberto Campos (Mury Campos), Gilson Chagas, Chico de Júlio, Erivan Lima, José Aécio, José Airton, Heraldo Santos, Ranossil, Sávio Barão, Edvan Araújo, Chico Barbosa, Absolon Nunes, João Batista, José Osvaldo Lavor, Luís Edio Leal Costa, Francisco Reis Santos (Barra Azul), Zé Silva, João Moura, Francisco Teotônio da Luz Neto (Teotônio Luz) – autor deste livro, Olívia Rufino, Luís Bernardes, Vilebaldo Nogueira Rocha, Mundica Fontes e alguns outros.
          Nas Artes Plásticas, contribuem para a projeção de nossa terra os artistas: Tácito Ibiapina, Nazaré Rufino, José Brito, Zequinha Pintor, Raimunda Fontes de Moura (Mundica Fontes), Albano Silva, Adão Santana, Raimundo Albano e Wilson.
          Como Cantores e Compositores, citamos: Manoel da Costa Moura (Guanambi Sonial), Odorico Carvalho, Antônio Helder, Wilson Seixas, Danny Silva, Frank Aguiar, Maurício de Holanda, Wall Magno, Adão Marinho, Tony Ribeiro, José Amirtes, Gilson Rocha, Zé Santos, Ivonildo do Nordeste, Jorginho, Zé Norberto, Dedé Brasil, Filandro Portela, Marcelo Luz, Olívia Rufino, etc.
          No Teatro, tivemos os grupos Charles Chaplin e Oásis, um tanto desativados; em ação, há o Projeto Bar Cultural, comandado por Sávio Barão, e está surgindo um novo grupo, vinculado ao Colégio Antares. Em Cartum, destacam-se os irmãos Moisés dos Martírios Barros e Aurimar dos Martírios Barros, que atuam nos jornais Meio Norte e Diário do Povo, respectivamente.
Na Sétima Arte (Cinema) destaca-se o nome do cineasta Miguel Borges, que participou de várias produções como Diretor, especialmente no filme de longa metragem “Cinco Vezes Favela”, de 1962, além de vários outros filmes, inclusive “O Barão Otelo no Barato dos Milhões”, estrelado por Grande Otelo, em 1971.
Naturalmente, com tantos escritores e artistas filhos de Picos e circunvizinhanças, é mais do que justo a existência de uma organização máxima que congregasse e deixasse registrado no píncaro da história todas essas figuras humanas de imaginação criativa que permanecerão para sempre em toda a região, por intermédio da produção literária e artística que fica para as gerações futuras.
Assim, algumas organizações foram se formando para melhor cuidar da cultura, da literatura e da arte em geral, tais como o Grupo Mutirão de Literatura, Arte e Cultura e o Clube Cultural “Fontes Ibiapina”, cujas atividades resultaram na fundação da Academia de Letras da Região de Picos (ALERP) no dia 22 de abril de 1989, unificando a cultura da microrregião, tendo como sua primeira Presidente a professora Rosa Luz.
Depois surgiu, em 29 de julho de 1999, a União Picoense de Escritores – UPE, que foi idealizada pelo poeta Luís Edio Leal Costa que, juntamente com outros poetas, tinham como objetivo a materialização em livros de toda a produção literária de seus membros e escritores estreantes, contribuindo para o desenvolvimento cultural do Piauí.
          A Biblioteca Municipal Dom Paulo Libório, que funcionou em prédio construído pela Prefeitura, está um tanto desativada, existindo bibliotecas junto às Universidades, para atendimento   aos seus alunos, e ainda se conta com a biblioteca do Museu Ozildo Albano, que atende mais pesquisas históricas.
          É oportuno ressaltar a existência do Museu, fundado em 1968 pelo saudoso Professor, Juiz de Direito e Historiador Picoense, Dr. José Albano de Macedo, o popular Professor OZILDO ALBANO, recebendo o nome do seu criador “Museu Ozildo Albano”, contando com inúmeras peças de ordem variada e algumas delas muito raras, cujo repositório histórico estaria a merecer melhores cuidados e tratamento especializado pelo Poder Público, objetivando assegurar sua continuidade.
            Esse museu contém objetos do Brasil Colônia, Império e República. São mais de mil documentos históricos, alguns escritos a bico de pena, cerca de cinco mil volumes, armas do século passado, da Primeira e Segunda Grande Guerra, cédulas de vários países, discos, fotografias. Hoje, o Museu está instalado no prédio da primeira escola pública de Picos, Grupo Escolar “Coelho Rodrigues”, que faz parte do patrimônio histórico da cidade.
          Os seguidores da religião católica em Picos são a grande maioria de sua população, existindo outras religiões como: Assembléia de Deus, Igreja Batista, Igreja Presbiteriana, Igreja Betesda, Igreja Universal e Testemunhas de Jeová.
          No município de Picos, há algumas festas religiosas e populares. Temos a Festa da Padroeira de Nossa Senhora dos Remédios, com final em 15 de agosto; Festejo do Sagrado Coração de Jesus, por todo o mês de junho; Festejo de Nossa Senhora do Carmo, com final em 16 de julho. As Festas Juninas são comemoradas por todo o mês de junho, nos colégios e nos bairros, havendo várias quadrilhas conhecidas e famosas. As principais danças folclóricas existentes no município são: Reisado, São Gonçalo, Cavalo Piancó, Dança do Congo, Passeata e Queimada do Judas e as Quadrilhas de São João e São Pedro.
          Há o costume popular de celebrar, no período compreendido entre o dia 24 de dezembro e 6 de janeiro, o chamado Dia de Reis, determinados festejos como os do Natal e Dia de Ano, com o Reveillon, e brincadeiras populares, como é o caso do Reisado, como manifestação folclórica de maior expressão popular da região, em que se observam danças e cânticos por homens com uma máscara no rosto e um bastão na mão, chamados “Caretas”, geralmente em número de três ou quatro, em torno de figuras de animais, de crendices populares, movimentadas por dançadores, seguindo coreografia própria de cada uma, tais como o “boi”, a “burrinha”, o “Jaraguá”, o “lobisomem”, a “alma”, a “ema” a “velha-do-fogo”, o “velho dos caretas”, etc.
            O Reisado quase sempre vem acompanhado por um dono, chamado de “Senhor dos Reis”. Geralmente acompanham também o Reisado um sanfoneiro, um zabumbeiro, um pandeirista e um triangulista.
          Nessa modalidade de Reisado, vale ressaltar a existência do Reisado de Ipueiras, hoje bairro de Picos, muito conhecido como “Reisado de Damas”, representando a mais autêntica manifestação do Folclore Nordestino, cuja natureza, composição e modo de apresentação é único em toda a região.
           Gostaria de ter consolidado aqui todas as informações e variedades existentes sobre esse Reisado de Damas, mas não recebi as informações solicitadas a várias pessoas que estão diretamente envolvidas, havendo recebido apenas do Senhor José Armínio Luz, com base em cujas informações faço aqui esse registro, por acreditar tratar-se de assunto importante para a Família LUZ, sobretudo para o conhecimento das gerações futuras.
           O Reisado de Damas chegou ao Brasil pela Bahia, vindo de Portugal e chegando em Picos, no Bairro Ipueiras, por intermédio do Coronel Felipe de Araújo Rocha, um dos fundadores desse Bairro, onde foi desenvolvido e permanece até hoje esse tipo de reisado, sempre às custas da comunidade.
          Desde o início do século XX e de lá para cá, o Reisado de Damas tornou-se uma tradição de reconhecida reputação e envolvimento responsável das Famílias de Ipueiras, pelo que vem passando de pai para filho e a Família LUZ sempre esteve integrada a esse folguedo de refinado divertimento e agrado de toda a comunidade.
          Entretanto, em todos esses anos, o Reisado de Damas sofreu uma desativação por certo período de tempo, quase morrendo.
          Em 1991, a UNA – União de Amigos, sociedade constituída por várias famílias, com base na Família LUZ, tendo como fundamento primeiro a defesa dos interesses comuns dos associados, travou ardorosa campanha, juntamente com toda a comunidade ipueirense, objetivando não deixar morrer essa cultura tradicional dos seus ancestrais, conseguindo êxito com o reaparecimento do Reisado de Damas, como manifestação cultural.
Esse esforço foi ingente, sob a coordenação da Diretoria da UNA e com a participação efetiva da própria comunidade que arcou com todos os recursos necessários.
          Tradição, divertimento e cultura são elementos que alimentam a vida de uma comunidade, de um povo e, por isso mesmo o Poder Público deve ter acentuado grau de responsabilidade por sua promoção e continuidade.
          É de se apelar para as autoridades de Picos-Piauí e se aguardar retorno favorável, com urgência, no sentido de manter as tradições, os divertimentos e todas as espécies de manifestações culturais que fazem parte da vida dos picoenses, aqui incluído o “Reisado de Damas”, de Ipueiras, objetivando continuarem existindo por todos os tempos, para as gerações futuras.
          O enredo do Reisado de Damas é mais extenso, romântico e cheio de enlevos, pois, além de incluir as figuras da burrinha e do boi do ritual normal do reisado comum, ainda acrescenta antes outras personagens, como os Primeiro e Segundo Galantes, as Primeira e Segunda Damas e o Lacau. A parte de encenação do Drama em quatros Atos trata sempre da conquista da mulher pelo homem, da sedução, do amor e envolve a platéia que o assiste com toda a atenção e entusiasmo, achando graça de muitas passagens das representações, dependendo também da criatividade dos próprios personagens, que normalmente estão a improvisar cenas e quadras que empolgam as pessoas presentes.
          O Reisado de Damas, Fotos 04, 05, 06 e 07 na Galeria de Fotos, é composto pelas seguintes personagens:
          1 – TOCADOR – Acompanha as cantigas do Reisado com uma sanfona.
          2 – TRÊS CARETAS – Usam máscaras, bastões, paletós escuros e pano amarrado na cabeça. São personagens fundamentais,  pois divertem o público com repentes, histórias, piadas e danças.
          3 – PRIMEIRO E SEGUNDO GALANTES – Usam roupas brancas e capuzes enfeitados com fita vermelha, etc.
          4 – PRIMEIRA E SEGUNDA DAMAS – São homens em trajes de mulheres com capuzes enfeitados.
          5 – LACAU -  Usa túnica cáqui, calça branca, gorro na cabeça e espada.
          6 – BURRINHA – Formato da cabeça de uma burra, toda ornamentada com uma longa saia de tecido. É dançada por uma pessoa, com a burrinha na altura da cintura.
          7 – BOI – Composto por uma armação de madeira no formato do corpo de um boi em tamanho que possa caber uma pessoa embaixo, a qual é destinada a fazer o boi movimentar-se. Nessa armação, coloca-se a cabeça, os chifres e o rabo. A armação é coberta por tecidos.

          O Reisado de Damas é apresentado em quatro partes a saber:

          1 – CANTIGA DA PORTA – É o início da apresentação do Reisado de Damas. Os componentes do grupo chegam a determinada casa ou lugar e cantam na porta, pedindo licença ao dono da casa para começarem a brincadeira. Nessa cantiga, tecem elogios ao dono da casa ou representante do lugar, a fim de angariar mantimentos ou dinheiro para cobrir as despesas do reisado, já que este não visa fins lucrativos.

                                               CANTIGA DA PORTA:

Ô de casa, ô de fora
                                               Ô de dentro, nobre gente (Bis)
                                               Venha ouvir o Santo Reis
                                               Que veio lá do Oriente (Bis).

          Outra variação da Cantiga da Porta:
                                               Ô de casa, ô de fora
                                               Menina vai ver quem é  (Bis)
                                               São uns tiradores de reis
                                               De Jesus de Nazaré (BIS).

          Outra  variação da cantiga, Saudando o Dono da Casa:
                                               Senhor dono da casa
                                               Grande nome é o seu (Bis)
                                               Está lá no céu sentado
                                               Ao lado do menino Deus (Bis).

          2 – DRAMA – Onde é dramatizada a história da conquista da mulher pelo homem. Enquanto encenam, os Caretas estão animando. Esta dramatização é dividida em Atos:

1ºATO:  O Sanfoneiro toca um baião e os Caretas sapateiam. Entra o grupo completo e vão juntos ao dono da casa, onde qualquer um faz uma saudação e pede licença ao dono da casa para realizar a brincadeira, como segue:

Senhor dono da casa
Bênçãos do céu cairão sobre vós e sobre mim
Assim como cai o orvalho
No delicioso jardim.

Vindo eu de longe, bem de longe
Adorar ao nosso Onipotente
O meu nome é Baltazar
Primeiro Rei do Oriente.

Senhor nos dê licença
Licença queira nos dá
Que hoje é chegado o dia
De nós tocar, dançar e brincar.

          Após a saudação e permissão do dono da casa ou representante do lugar, saem todos.
          O Sanfoneiro toca e os Caretas, sapateando, entram seguidos do Lacau que, com a espada, bate nos Caretas e recita o primeiro rompe:
                                 Lacau – Eu não temo a valente
Nem que ele seja um Sansão
Pois eu sou um pensamento
E avanço como leão
Mas, senhores, eu não vejo
Quem me faça oposição.

Porque quem vier contra mim
Sou pior do que um trovão
Sou um raio, sou um corisco
Sou um brasilisto
Faca, capanga, espingarda
Tudo isso eu faço um taco.
Minha rede é a cama
E minha casa é o mato.

          O Lacau sai de cena. Em seguida inicia o drama entre os personagens (Damas, Lacau e Galantes). Ao terminar, todos se retiram. 
          2º ATO: O Sanfoneiro toca, os Caretas entram sapateando, em seguida entra o Lacau com a espada em punho e bate nos Caretas e recita o segundo rompe, a exemplo do primeiro rompe. Logo após, inicia o drama entre os personagens (Damas, Lacau e Galantes). Terminando, todos saem sapateando.
3º ATO: Inicia com o Sanfoneiro tocando, os Caretas sapateando e o Lacau batendo nos Caretas e recitando o terceiro rompe, a exemplo dos anteriores. Logo em seguida inicia o drama entre os personagens (Damas, Lacau e Galantes) e  ao terminar todos se retiram sapateando ao som de um baião.
4º ATO: Igual aos outros Atos. Esta parte compreende declarações em homenagem aos Três Reis do Oriente. Ao terminar, vêm todos e fazem a despedida.
A seguir, um exemplo de como é feita a apresentação do Reisado de Damas, com toda a encenação, embora haja muitas variações, diante da criatividade dos próprios integrantes da brincadeira:

1ª DAMA – Tenho pesar de ser casada
Com a preguiça do mundo
                                               Um alisador de banco (Bis)
Preguiçoso e vagabundo.
A Dama sai de cena e entra o Lacau:
Eu quero bem à preguiça
Que sempre me acompanhou
Quando me falam em serviço
Logo me dá uma dor,
Mas quando falam em fuzarca
Eu não fico, eu também vou.

Falando – A coisa melhor do mundo é o comer e o folgar. Não dá coisa mais sagrada do que seja trabalhar. O malvado do serviço, quando é tempo do inverno, que se marcha para ele, é o mesmo que se marcha para uma guerra.
Mas, senhores, eu não trabalho, ando achacado de fraqueza, mas mesmo assim, quero ver se posso comer na mesa.
Chama a 1ª Dama – Oh! Mulher! Se tiveres uns ovinhos, tratai de aquentar, antes que me dê a macacoa que me faça derribar. Quando eu não acho o que comer, nada para mastigar, me dá tamanha agonia que hei de chorar e gritar.
Dama - Hás de gritar.
Lacau - Estou com fome.
Dama - Que é que tens para dizer?
Lacau - Quero comer.
Dama - Que curas quereis, então?
Lacau - Um bom prato de pirão.
Dama - O senhor quer me fazer às trelas?
Lacau - Ora, senhora, e porque ainda não pôs no fogo a panela.
Dama - Senhor, corro pelo entendimento, e vejo nesta casa, não se encontra o que botar dentro.
Lacau - Ora, essa vossa pergunta é o que me faz o sofrimento. Ponha essa panela no fogo, com água, sal e coentro; e pegue uns carocinhos de milho, que logo encontrará o que botar dentro.
Dama - Senhor, hei de matar um pintinho de gogo?
Lacau - Não pergunte por isso. Bote o pintinho no fogo.
Dama - Um pintinho romanesco, que era para galo deixar.
Lacau - Ora, e quereis por fim à força, dois galos no terreiro? Não sabe que sou o galo verdadeiro?
Observação: Chega a 2ª Dama:
2ª Dama - Sr. Jorge, meu irmão, manda lhe chamar com muita pressa, para ir trabalhar.
1ª Dama - Senhora, este homem lá não vai, nem que venha lhe arrastar.
Lacau - Você diz que lá não vou. Você sabe por que é? O coração só me pede, se eu for lá eu corto um pé.
2ª Dama - Mentes, a verdade. Tens muito serviço a dar.
Lacau - Ora, como está esta menina tão ignorante, que ainda ontem, eu a vi abraçada com o seu amante, por detrás de um curral?!
2ª Dama - Certamente, eu lá estava, porém, sem maldade; nisto o Senhor ofende esta minha mocidade.
1ª Dama - A língua deste mau homem corta sem ter lealdade.
1º Galante diz para o Lacau: Quereis morrer de um tiro antes do dia amanhecer?
Lacau - Você não sabe que quem de um tiro morre, de um tiro quer morrer? Não as cutias de serra que as cevas vêm comer?
1º Galante - Você não sabe que quem da honra alheia fala, tem algo a perder?
Lacau – Não me queira  mal e vá embora, que a verdade hei de dizer.
1º Galante - Você não sabe que desta terra eu não sou, e que esta moça é minha irmã, para falar como fala?
Lacau - Ah! Senhor! Estava zombando!
1º Galante - Zombando? Ainda me diz zombando?
Lacau - Mulher, pegue o homem que está me atirando!
1ª Dama - Senhor, não mate meu marido. Por uma coisa tão pouca, quereis se ver perdido?
1º Galante - Dar-te um tiro de repente, só me pede o coração.
Lacau - Ai! Senhor! Deixe-me rezar o Ato de Contrição.
Observação: O 1º Galante atira no Lacau e sai de cena; o Lacau cai por terra.
Entra  o 2º Galante:
2º Galante - Que foi lá isto vizinha, que vi tão grande alarido?
1ª Dama - São meus pecados, vizinho, lá mataram meu marido.
2º Galante - Coitadinho! Era um grande, meu amigo.
1ª Dama - Vizinho, você não sabe qual foi este fariseu, esta morte, ele mesmo mereceu.
2º Galante - Vizinha, e a Senhora por se ver viúva com necessidade e timidez, veja se quer casar comigo?
1ª Dama – Não sei, Senhor. Não sei.
2º Galante - A Senhora mesma é quem deve saber. Eu cuido que se nos casarmos, muito bem vamos viver. Então apronte o programa para os banhos correrem, e quando for Dia de Reis, os banhos hão de correr.
Lacau - Oh! Mulher! Grande sobressalto me deu no coração; dê-me um copo d’água e me dê a vossa mão.
1ª Dama - Ainda está vivo, marido? Desde ontem choro, cuidando que tinha morrido!
2º Galante - Foi a mulher que já vi mais chorar e sentir a morte do marido.
Lacau: Eu acho que muito mais ela chorava, se eu não tivesse vivido.
1º Galante - Que foi lá isto, amigo Martinho?
Lacau – Admira certamente, do droga de um varapau, de ter as canelas finas e um coração mau, mas se tu me erras o tiro, que me mate de verdade, eu jurava por Deus Pai que havia de contar a Papai.
Observação: Juntam-se os Galantes e Damas e falam para o Lacau e Caretas: Não haja de reparar o que fez o Senhor neste terreiro, vamos um baile formar, para o Senhor servir de guia.
Lacau – Haja vista vocês quererem formar um baile, a quem se dedica o baile, esqueci de perguntar.
Todos – Aos três Reis do Oriente que viemos festejar.
Lacau – Por ser tal Senhor que a vós não posso faltar, toca os instrumentos e tratamos de dançar, com voltas e corrupios, cada qual em seu lugar.
Observação: O Lacau dá outro rompe contra os Caretas.

1ª Dama – Sou uma mocinha pobre
Menina de bom folgar
Ando procurando um amante
Para com ele eu me casar.
Há de ser formoso
E rico também (Bis)
Que quem casa pobre
A desdita tem (Bis).

1º Galante – Sou mercador afamado
Que ando por este sertão
Trago muito cabedal
Cinco varas de algodão (Bis).

Também trago um lenço
Com uma flor de fita (Bis)
Quem casar comigo
Há de ser bem rica (Bis).

Observação: Depois que o primeiro Galante canta, a 1ª Dama diz:

Senhor procure outra loja
Se nela quiser vender,
Que essa sua fazenda
A mim não faz render.

2º Galante – Senhor eu sou bom vaqueiro
Lá do Riacho do poço
Eu possuo dois garrotes
Um aleijado e outro torto.

Quem casar comigo
Há de ser muito farta (Bis)
De coalhada e queijo
E de muita nata (Bis).

1ª Dama  -  Senhor procure outra fazenda,
Se nela quiser vaquejar,
Que esta tem muito cipó
O Senhor há de se embaraçar.

Lacau   -     Sou caçador de veado
Das onças sou bom tafu,
Sou um bom rastejador (Bis)
Sou matador de tatu.

Se casar comigo
Há de ser muito farta (Bis)
De cutia e tatu
E de muita paca (Bis).

1ª Dama  -   O Senhor procure outra vereda
Se nela quiser caçar
Que nesta tem muita pedra
Topada nelas há de dar.

3 – BURRINHA – Fica dançando no meio do salão e os Caretas discutindo em rimas e cantando repentes, elogiando os donos da casa e pessoas presentes. É costume jogar lenços nas pessoas presentes, com o objetivo de angariar dinheiro, cujos lenços são devolvidos posteriormente, com alguma gorjeta.

CANTIGA DA BURRINHA

Meus amigos, este Reisado
Sua origem eu não sei
Acho que veio da Bahia
E chegou em nosso meio
Aqui eu deixo escrito
Não sei se acham bonito
Sei eu que não acho feio.

Neste nosso Reisado
Que nós brincamos aqui
Não veio podendo mandar
Nem mando podendo ir
Para que ninguém ignore
Este é o nosso folclore
De Picos do Piauí.

E este nosso folclore
Uma verdade aqui sai
Isto vem de tradição
Da minha mente não sai
Pois tenho como lembrança
E trago como herança
Do pai, do pai, do papai.

Mesmo vindo da Bahia
Por aqui ele ficou
Ficando no nosso meio
Nunca ninguém desprezou
E aqui em Ipueiras
Estas nossas brincadeiras
Damos-lhes muito valor. 

No repetente eu sou Doutor
Parte do meu coração
Receito velho e criança
Gosto da Religião,
Porque eu não improviso
Confesso, caso e batizo,
Dou hóstia e consagração.

Quando eu falo em estudo
Digo com sinceridade
Na escola é que se aprende
A ser gente de verdade
Já aprendi cinco e sete
Como a Senhora Elinete
Aprendeu na Universidade.

4 – BOI – Na apresentação, o Boi fica sapateando no meio do salão e os Caretas ao redor cantam repentes com elogios aos donos da casa e às pessoas presentes. No final, eles matam o Boi e repartem com as pessoas.

CANTIGA DO BOI

Estribilho

Correu água (Bis)
Correu água no tesouro
Desceu no cano de prata
Saiu no cano de ouro.

Correu água aqui em Picos
Rio abaixo e rio arriba
Começou em São Luís
E desceu no Rio Guaribas.

A água correu bastante
Com uma bonita embalagem
Saindo da bananeira
Caiu dentro da barragem.

Lavou a cidade de Picos
E desceu devagarim
Depois de certo percurso
Entrou no Rio Itaim.

O Rio Guaribas desceu
Suas águas com muita fé
Junto com o Itaim
Entraram no Canindé.

As águas destes três rios
Juntaram-se sem engano
Desceram no Parnaíba
E entraram no oceano.

Este aqui é um Reisado
De Picos nossa cidade
Quero deixar registrado
Em nossa Universidade.

A DESPEDIDA – Entram todos os componentes do Reisado no salão:
a)- Recitando:                    Senhor dono da casa
Vos faltareis com o dever sagrado
Se neste momento não vos agradecêssemos
A delicadeza com que nos recebestes
O tratamento com que nos hospedastes
Porém ficais certo e ciente
Que nunca mais se apagarás em nós
As lembranças de tão boa gente
Concluindo desde já, vos peço permissão
Para nos retirarmos.
b)- Antes de sair, ficam volteando, dançando e cantando em ritmo de valsa:
Aqui viemos com meu partido sem par
Aqui unidos avantes lutadores
Com alegria fecunda te exaltar
Eis o cordão dos corações do nosso amor
Salve, cordão vibrante de maneiro
Somos guerreiros nesta vida de esplendor
Avante, avante, avante, com ardor
Eis o final, somos lutadores
Salve gente guerreiro, gente prelúdio
Neste festival, lutadores!
Salve, rendemos e lutamos
Porque terminamos o nosso reisado.
c)- E ao saírem, o tocador toca um baião, os caretas sapateiam e  todos vão saindo, cantando em versos, dançando em cordão, saudando os presentes em despedida, dando adeus e saindo do salão.


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